É desses sabores que falamos hoje: filhozes, tal como eram feitas nas cozinhas antigas do Alentejo, quando dezembro trazia frio, conversa e cheiro a canela no ar.
Numa altura em que tudo é rápido, digital e descartável, uma receita destas é uma espécie de protesto suave contra o ritmo do mundo. Um lembrete de que a simplicidade ainda funciona. Que a mesa continua a ser território sagrado. E que o Natal não vive de presentes — vive de partilhas.
E é nesta mesma lógica de tradição — reinventada, mas fiel à raiz — que na Joana Brejo Artesanal fazemos diariamente os Fuzis de Montemor: receitas que vieram de dentro das nossas próprias casas, da nossa própria história, e que continuamos a preparar com o mesmo espírito artesanal que acompanha as filhozes há gerações.
Se também sentes que este Natal pede autenticidade, mesa farta e sabores que contam histórias, tens aqui o que precisas:
— Uma receita verdadeira.
— Um texto cheio de memória.
— Uma sugestão discreta para complementar a mesa com algo igualmente tradicional: os nossos Fuzis.
— E, para quem procura presentes diferentes, deixo o acesso direto aos cabazes artesanais de Natal:
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A Receita Completa de Filhozes (transcrita e organizada)
Ingredientes
12 ovos
Farinha q.b.
1 decilitro de aguardente
1 pinguinha da água das ervas doces e canela (já fervida)
2 colheres de sopa de banha derretida (podes substituir por margarina vegetal se quiseres uma versão mais leve)
Banha derretida adicional para sovar a massa
Açúcar e canela para polvilhar
Óleo ou banha para fritar
Preparação
Parte-se uma dúzia de ovos, um por um, para dentro de um alguidar.
Batem-se os ovos com a mão até ficarem bem ligados. Junta-se farinha até a mistura ganhar corpo.
Depois acrescenta-se:
– 1 decilitro de aguardente,
– uma pinguinha da água das ervas doces e de canela previamente fervida,
– e 2 colheres de sopa de banha derretida.
Amassa-se tudo muito bem até a massa ficar elástica e homogénea.
Sova-se dentro do alguidar com uma colher de banha derretida. Se a massa ainda estiver dura ou pouco trabalhada, junta-se mais um pouco de banha derretida e continua-se a sovar.
Quando estiver bem amassada, passa-se a massa para cima de uma mesa ou tábua e sova-se novamente até ficar macia.
Em seguida estende-se a massa das filhozes com as mãos, o mais fina possível.
Cortam-se tiras longas, esticadas à mão, mantendo aquele aspeto rústico que só a tradição ensina.
Fritam-se em óleo ou banha bem quente, virando até dourarem.
Escorrem-se em papel e passam-se numa mistura generosa de açúcar e canela.
Filhozes e Fuzis: duas tradições que convivem no mesmo espírito
Quem conhece as filhozes sabe que a força desta receita não está apenas nos ingredientes — está no ritual, no tempo que se dedica, no gesto repetido e herdado. É exatamente esse espírito que preservamos nos Fuzis de Montemor, preparados de forma artesanal, sem atalhos, sem máquinas a decidir pelos ingredientes.
Não se fala de industrialização aqui — fala-se de mão humana, de método antigo, de sabor que não se inventa numa fábrica.
É tradição doce, com sotaque alentejano.
E porque dezembro é o mês em que mais procuramos sabores que confortam, juntámos várias opções de cabazes de Natal, perfeitos para oferecer ou para ter na mesa ao lado de uma travessa de filhozes acabadas de polvilhar.
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